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Resumo Histórico do Concelho de Gondomar

Desde os primórdios da Nacionalidade uma presença humana vigorosa transformou as terras de Gondomar em espaços fecundos ligados à Serra e ao Rio. Uma fecundidade arrancada à terra irrigada pelo grande e vetusto trajecto do Douro e do seu abraço com o Sousa. Feita de campos e de florestas que adornam a periferia do Porto.

Donzela sedutora, Gondomar sempre enfeitiçou o Porto, com as carícias que os braços longjlíneos do rio Douro lhe leva, com o afago de um grande coração, feito de ouro e de prata, rendilhado por afectos sem fim.

E mesmo quando a noite chega, é aqui que a Cidade do Trabalho repousa, dormindo juntos, quando descendências sucessivas vêm enriquecendo uma região abundante, dinâmica e progressiva.

A serenidade de Gondomar nota-se no conjunto magnífico das suas paisagens fluviais, no triângulo formado, além do Douro e do Sousa, pelo rio Ferreira, manancial gerador de espécies piscícolas raras e apreciadas, a lampreia e o sável à frente de todas.

A sua altivez sente-se na alta plenitude do Monte Crasto, atalaia vigilante de um horizonte plasmado de profundidade fantástica e mágica, onde o balouçar dos olhos acompanha, veemente, o pulsar do coração.

Olhar Gondomar é notar um conjunto de preciosas e subtis contradições geográficas, sociais, formais, estéticas e funcionais, caso espantosamente único no território português. Moldadas por um ufano equilíbrio transversal, da margem direita do rio Douro aos primeiros arroubos ondulados da Serra de Santa Justa, e longitudinal, das ruas movimentadas que dão acesso ao Porto e Maia, seus vizinhos, até ao vértice meridional da Lomba, com a placidez da sua pertinácia em desafiar a corrente caudalosa de um rio valente que, por sua causa, inflecte o percurso, permitindo-lhe a tranquilidade e o repouso no sítio onde nasceu, onde a área geográfica do concelho termina.

Não admira, portanto, que seja Gondomar o coração do Grande Porto.
Marcada essencialmente pelos seus recursos naturais, hidro ou orográficos, com incidência especial na riqueza do seu subsolo, o concelho teve nas minas de carvão de S. Pedro da Cova um dos seus mais elevados expoentes.

A partir da exploração deste complexo mineiro, que veio a propiciar evidentes formas de fixação de populações, a indústria adquiriu um trajecto ascensional, ao lado do qual se desenvolveu, de igual modo, a actividade de serviços e a fundamentação territorial. Sem perder as suas características mais tradicionais, o concelho evoluiu em múltiplas formas de envolvimento social. No seu tradicionalismo continuam a ser focos de grande interesse o artesanato (com o peso fundamental das filigranas de ouro e de prata) e a indústria (para além do ouro, poderemos dar como exemplo mais expressivo a acuidade prestigiosa do seu mobiliário).

Mas toda a história tem um começo. No caso de Gondomar é difícil determiná-lo. O seu topónimo excede a implantação da Nacionalidade Portuguesa. Ao que tudo indica, terá a ver com Flávio Gundemário, um rei visigótico que aqui permaneceu entre 610 e 612. Obviamente que a existência real gregária das terras de Gondomar são muito anteriores, como o provam os frequentes vestígios encontrados na generalidade do concelho, com especial incidência no Monte Crasto.

Documentalmente, os primórdios desta terra remontam a uma referência à Igreja de Santa Eulália, no ano de 897. Após o advento da Nacionalidade, D. Sancho l, o Rei Povoador, demarcou o couto de Gondomar em 1193, doando-o ao Bispado do Porto e fazendo-o acompanhar da respectiva Carta de Couto, que veio a ser confirmada em 1218, pelo seu filho, D. Afonso II. É no reinado de D. Manuel l que é atribuído o Foral de Gondomar.

O processo de povoamento das Terras de Gondomar estabeleceu um impacto geográfico abrangente, praticamente desde as muralhas do Porto até à foz do rio Sousa. Compreendia, pois, a área actualmente atribuída à freguesia de Campanha, integrada na zona urbana do Porto já em pleno século XIX. Com este processo administrativo, ficou determinada a estrutura gondomarense, através de 11 freguesias. A de Gondomar (S. Cosme) corresponde à sede do concelho e foi elevada a vila após a reformulação categórica do movimento político-militar vivido em Portugal a partir de 28 de Maio de 1926.

A actual situação jurídico-administrativa do concelho contempla duas cidades [Gondomar (S. Cosme) e Rio Tinto] e três vilas (S. Pedro da Cova, Fânzeres e Valbom).

A designação de S. Cosme para a sede do concelho resulta de serem S. Cosme e S. Damião os seus patronos. A opção pela figura destes Santos pelo povo Gondomarense é expressa pela implantação das suas imagens na frontaria da Igreja Matriz, datada de 1727.

A religiosidade das comunidades gondomarenses é, de igual modo, atestada por alguns templos existentes no seu seio e, também, através de cruzeiros, que proliferam por vários locais. Um dos exemplos mais expressivos é o do Monte Calvário, com cruzeiros setecentistas cujo conjunto se integra num pequeno jardim arborizado onde se festeja o Senhor dos Aflitos.

O património construído mais marcante liga-se à arquitectura religiosa e simultaneamente a algumas quintas e solares, que ainda se vão mantendo, apesar da enorme pressão urbanística que hoje se faz sentir, um pouco, por todo o concelho.

A Casa da Quinta, agora designada por Convento dos Capuchinhos, é um exemplo: moradia senhorial (século XVIII), possui uma capelinha muito bela e expressiva dedicada à "Senhora Mãe dos Homens".

A Quinta de Montezelo, incluindo dois blocos de habitação, Capela de Nossa Senhora da Conceição e Magnólia em Montezelo, freguesia de Fânzeres.

O conjunto arquitectónico do imóvel sito na Rua de Nossa Senhora do Amparo, lugar de Venda Nova, cidade de Rio Tinto, constituído pela construção principal, capela e terrenos anexos.

São de realçar, também, outras casas e capelas como a Casa Branca (Gramido - Valbom), Capela de Nossa Senhora da Lapa em Rio Tinto, Quinta de Atães, também conhecida por Quinta da Palmeira e muitas outras espalhadas por todo o concelho. No âmbito do património industrial, destaque para o Cavalete de S. Vicente, hoje "ex-libris" de S. Pedro da Cova, Fábrica Têxtil (Rio Tinto) e inúmeros moinhos, que por vezes ainda funcionam.

O Monte Crasto é paradisíaco e assume-se como espaço de celebração religiosa, em ponto cimeiro da orografia do concelho. Outros referenciais de arquitectura civil abundam, sendo os mais recentes, nascidos já no século XIX, revestidos a azulejo.

Neste particular releve-se a força da tradição da azulejaria que emana da Estação Ferroviária da cidade de Rio Tinto. E, a partir dela, a igual força da estruturação populacional e do trabalho de todo o concelho, imposta pela via-férrea da linha do Minho/Douro. O terminal ferroviário de Rio Tinto é dos mais intensos da Área Metropolitana do Porto.

O concelho de Gondomar estende-se por uma área de 133,26km2, tendo como fronteiras outros municípios da Área Metropolitana do Porto: Maia e Valongo; Penafiel e Castelo de Paiva; Santa Maria da Feira, Vila Nova de Gaia e o Porto.

Para quem sai do Porto, Gondomar está logo ali. Ainda mal se acabou de admirar o majestoso Palácio do Freixo e seguindo a EN108, estamos em Ribeira de Abade, lugar célebre do passado, pois para ali se corria para comprar sável e lampreia. Seguindo essa marginal do Douro, estrada panorâmica de rara beleza, atinge-se a barragem de Crestuma-Lever e, mais adiante, o concelho de Penafiel. Pelo caminho são inúmeros os restaurantes, que ainda hoje podem proporcionar óptimas e características refeições.

Gondomar está ali, para quem deixa a Avenida Fernão de Magalhães (poucos minutos depois de passar o Estádio das Antas, chega-se à Areosa, um cruzamento de estradas pertencente a três concelhos: Porto, Gondomar e Maia.

Se seguir a Circunvalação (EN 12) no sentido do Freixo, para a esquerda tem Gondomar e para a direita o Porto. Se seguir a antiga estrada para Guimarães, a Rua D. Afonso Henriques recheada de comércio, para a esquerda tem o concelho da Maia e para a direita Gondomar. Gondomar também está logo ali, para quem entra na antiga estrada para Vila Real (EN15) pela "Ponte de Rio Tinto".

Gondomar parece um concelho acessível, se atendermos a que na sua periferia é só dar um passo para chegarmos ao Porto. Mas Gondomar tem um território extenso (133,26 km2), com uma rede viária antiga e conturbada, quase todo o dia, com o conflito dos movimentos internos e externos do concelho, Aqui se albergam, movimentam e trabalham mais de uma centena de milhar de habitantes (143000), segundo o Censo de 1991.

Por aqui se deslocam muitos mais, atraídos pelo seu carácter sedutor, numa temporalidade que começa na marginal de Entre-os-Rios, estrutura primária e tradicional no desvendar dos seus encantos, ou na grande e moderna Estrada de D. Miguel, atravessando o concelho do sul para o norte, Faz falta a Gondomar uma via rápida que ligue o interior do concelho às modernas auto-estradas que dão fácil acessibilidade a todo o país. Quando tal acontecer (o que parece estar para breve), então sim, Gondomar está logo ali!

Malha irregular, de configuração longilínea no trajecto Noroeste-Sudeste, apresenta uma zona mais intensamente habitada (Zona Norte), com as cidades e as vilas, constituindo, desse modo, um agregado populacional intenso, com morfologia urbanizada, situando-se aí actividades comerciais de peso e industriais em profusão: além do ouro e da prata, mobiliário reconhecidamente apreciado na sua feição de talha ou marchetada com embutidos, que lhe transmitem contornos de grande beleza e ainda pequenas indústrias têxteis e de metalurgia ligeira de que um evento anual, de grande prestígio, tem vindo a constituir um excelso retrato: a Agrindústria, certame cuja designação, por si só, revela e releva as duas componentes essenciais da actividade quotidiana das gentes desta região.

Na Zona Sul mantém-se uma componente rural, com processos económicos assentes em formas tradicionais de soberania vital, de onde refulgem, ainda, essências comunitárias de grande interesse etnográfico. O tipo de povoamento é mais disperso e a agricultura e pecuária (segundo modelos minifundiários) entroncam com actividades complementares, de carácter lúdico e económico, algumas das quais têm uma valência significativa na vida dos seus habitantes. Sendo a Zona Sul mais extensivamente contactável com o rio Douro, assume particular relevo a pesca (que durante muitos anos foi sobrevivência para inúmeros agregados populacionais) e actividades ribeirinhas próprias.

E eis como continua a ser este rio, de proverbial importância no dimensionamento das actividades da Região Norte, fundamental no processo de crescimento e desenvolvimento de toda a região, ao qual se subjugam todas as intenções, projectos e realizações de uma população cuja densidade demográfica e habitacional, permanente ou de contornos migratórios, é a mais elevada do país.

São frequentes as praias fluviais, geradoras de contraccionismos laborais e de lazer, ainda hoje relevantes numa perspectiva turística e de envolvimento futuro, face às capacidades de navegabilidade potencial do rio Douro, onde modernas embarcações de maior calado se irmanam com outras, de menor escol, mas de valia tradicional, como o "Valboeiro", barco que ciranda facilmente entre as duas margens, ora no transporte de pessoas, ora na condução de materiais e produtos.

De igual modo, a prática desportiva (para além da pesca) assume aqui especial realce, nomeadamente o remo e a canoagem. O contacto com a Natureza é uma constante e, medindo ou desafiando o estado de espírito de quem o usufrua, há a possibilidade de práticas organizadas de percursos pedonais ou de campismo, sendo expoente deste, o excelente parque de desporto e lazer, em Medas, lugar de eleição que acaba por conjugar, de forma harmoniosa, todas estas facetas.

 
 

 

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